Entrevistas com Mestres – Marcelo Rodrigues

Que tal conversar um pouco com um mestre de RPG experiente, renomado e criador de um dos RPGs nacionais mais antigos e mais queridos? Bom, como nem sempre temos disponibilidade, resolvemos fazer isso por vocês, esperamos que gostem do nosso papo com Marcelo Rodrigues, do Tagmar. Como convidado especial, temos Rafael Mingo, grande fã deste RPG, mestre e jogador que irá nos ajudar!

A imagem pode conter: 1 pessoa, sapatos e atividades ao ar livre

1) Antes de mais nada vamos falar um pouco de quem é Marcelo Rodrigues e qual a sua trajetória no RPG e sua história com o Tagmar.

Nasci 1965 em Belém-PA, mas nos anos 70 me mudei para o Rio de Janeiro. Sou Engenheiro, Casado com 2 filhos. Atualmente trabalho em uma empresa de desenvolvimento de Software atuando como gerente de projeto.

Comecei a jogar RPG em 1985 (AD&D) quando entrei na faculdade. Naquele ano teve um greve de professores que durou 3 meses. Comecei a jogar quase todos os dias. Foi assim que me tornei um grande fã de RPG. Além do AD&D joguem outros, mas o que gostava mesmo era fantasia medieval.

Quando chegou no final dos anos 80 eu percebi que a mecânica de jogo dos RPGs não era nada de especial. Na época tinha um grupo e a pessoa que mais conhecia RPG era o Ygor (um amigo meu). Trocamos umas ideias e percebemos que não seria difícil fazer um RPG, e melhor ainda… se fosse feito estaríamos sozinhos no mercado! A oportunidade comercial era ótima. Foi assim que surgiu a ideia de fazer um RPG Nacional.

O projeto levou 3 anos e foi necessário mais 2 pessoas para se juntar a nós. Criar o sistema do Tagmar foi fácil… Escrever um manual de regras de 200 páginas que incluía a ambientação, magias e criaturas… Isto sim foi muito difícil. Foi assim que nasceu o 1º RPG Brasileiro

  • Mestre Mingo, o que é o Tagmar?
  • MM: O Tagmar é um projeto de apaixonados, tudo que você vê de material hoje é produzido pelos fãs do sistema, desde a atualização das regras até as ilustrações. Desde a abertura para open source foram lançados diversos livros com contos ambientados no cenários, novas criaturas, aventuras prontas, livro de magias e você tem acesso a tudo isso gratuitamente no site do projeto, isso por si já ajuda a trazer novos jogadores para o RPG.

2) O que te inspirou a criar o Tagmar junto com seus amigos, além, claro, da vontade de jogar um RPG e ser um visionário de vanguarda, quais as suas inspirações e visões que adicionaram na obra?

O que nos empurrou a criar o Tagmar foi a oportunidade comercial já que não tinha nenhum RPG no Brasil. Quando decidimos criar um RPG Brasileiro, nos inspiramos diretamente em Tolkien e na mitologia grega. A história do mundo de Tagmar na verdade é mais inspirada na mitologia grega que em Tolkien. Nós queríamos uma coisa diferente do D&D, então colocamos como grandes vilões do cenário os demônios e não os dragões.

A questão de escolher a tônica do cenário em volta dos demônios e a “seita”, fez do cenário do Tagmar ser bem diferentes dos cenários da TSR e do próprio Tolkien. No EUA o termo “demônios” era um tabu para as editoras de RPG e foi nesta linha que resolvemos dar enfoque, mas sem cair para o lado Deus X Demônio do cristianismo.

  • Mestre Mingo, Como é o cenário de Tagmar?
  • MM: O Cenário é de fantasia medieval, ambientado principalmente no continente de Tagmar com forte influência tolkiana, onde os principais vilões são os próprios habitantes que servem a “seita”, uma organização que visa trazer os demônios de volta ao mundo conhecido. Considero isso um diferencial para o mestre que quer narrar em Tagmar, pois a construção de um NPC sombrio pode muitas vezes trazer um desafio maior que um dragão ou um beholder para os jogadores, utilizando até a traição de NPCs que ganharam a confiança dos jogadores.

Nenhum texto alternativo automático disponível.

3) E como tem sido a recepção dos jogadores ao sistema e cenário do Tagmar?

Quanto do Tagmar foi lançado em 1991 a recepção foi fantástica. A primeira edição esgotou em poucos meses. Era uma época de pouquíssimas opções e o nosso era o único RPG de Fantasia Medieval disponível. Existia o Gurps, mas ele nunca foi um bom RPG para fantasia medieval.

Quando o Tagmar retornou em 2005 com a Versão 2.0, aqui o cenário já era bem diferente onde o D&D 3.0 dominava e já tinha esmagados todas as outras opções  de Fantasia Medieval. Como o Tagmar 2 já surgiu como “open source” ele arrebatou todos os antigos fãs que tinham ficado órfãos de seu RPG. O Tagmar 2 foi construído com base nas pessoas que gostavam dele, e que passaram a poder participar da sua criação. O Tagmar foi o pioneiro duas vezes. Primeiro RPG Brasileiro, e Primeiro RPG Open source do Brasil e realmente dar certo.

Os anos se passaram e o Projeto Tagmar (que é a organização que sustenta a iniciativa open source) cresceu e passou a produzir novos títulos. Hoje são mais de 30 títulos, sendo que são produções de nível profissional e com muito conteúdo…

O Tagmar 3.0 lançado este ano é um novo marco para o projeto. Muitos fãs de RPG Medieval que já jogaram Tagmar ou que jogam ou jogaram outros RPG de fantasia, estão descobrindo essa nova versão. Há vários fatores para esta redescoberta, que não as mídias sociais, e o fato do Tagmar 3.0 está disponível não só para download gratuito como também estar disponível para compra online!

  • Mestre Mingo, como são as regras do Tagmar?
  • MM: Tagmar tem um sistema baseado no D20 e em sua tabela de resolução, onde o resultado do dados é comparado com o nível de sucesso apresentado na tabela, explicado desta forma parece “assustador” mas tende a funcionar muito bem quando se está jogando.

4) E como tem sido a sua participação no cenário do RPG nacional, quais jogos você costuma jogar e mestrar?

Com o fim da GSA no fim dos anos 90, eu dei uma parada de jogo, mas no início dos anos 2000 voltei ao mestrar RPG para um sobrinho que era adolescente. Foi aí que voltei ao RPG. Fundei o projeto Tagmar 2 e então voltei a jogar e mestrar Tagmar. Como a minha participação tem sido muito intensa, acaba que não sobra tempo para outros RPGs. 😦

Recentemente joguei alguns RPGs como o “Deuses Entre nós’ do Marcello Teles (muito bom por sinal) e o Star Wars D6. Simples, mas muito divertido, já que sou maior fã da saga.

  • Mestre Mingo, Como eu tenho acesso ao Tagmar?
  • MM: O Tagmar está disponível online no site www.tagmar.com.br lá você encontra todos os livros disponíveis para download, além de conteúdos não oficializados para o sistema na “tagmarpedia”, também é possível jogar partidas PBF (Play by Forum) e ajudar no projeto criando conteúdo, revisando conteúdos prontos ou apenas participando das discussões.

5) Sobre o futuro, onde os jogadores de RPG e fãs do Tagmar podem te encontrar e o que você gostaria de divulgar / indicar para os jogadores?

Atualmente só estou trabalhando no Projeto Tagmar. Meu envolvimento com RPG atualmente é um hobby e por isto tenho de conciliar o tempo com o trabalho e a família. Até tenho vontade de participar de outros projetos e iniciativas, mas me falta tempo para isso.

Nota do Editor – O Marcelo é uma pessoa super gente fina, muito simpático e conversa bem com qualquer um que esteja disposto, Você pode encontrar ele no facebook, pode acompanhar seu projeto Tagmar na página do projeto e em diversos eventos pelo RJ, como o nosso último no Shopping Grande Rio. Espero que tenham gostado. (links no texto)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s