Entrevista com Mestres – Jorge dos Santos Valpaços

Esta será uma matéria diferente, ao invés de apenas explicarmos o que é o Mestre e como ele narra as histórias, usa seus movimentos e princípios, vamos falar de Jogadores Reais, Mestres Reais e sua história com jogos PbtA.

Sorteamos a ordem das entrevistas e começamos com o mestre Jorge.

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1 – Qual foi a sua primeira experiência com jogos PbtA, como conheceu jogos com a apoocalypse engine a primeira vez que narrou usando ela?

Minha primeira experiência jogando PbtA foi com Dungeon World, mas já tinha tido contato com Apocalypse World anteriormente. Hum, acho que a primeira vez que narrei um jogo PbtA foi com Dungeon World também.

2 – O que você precisou mudar na forma que mestrava antes e o que levou dessa engine para os outros sistemas que usa?

Uma das questões centrais se relaciona com o planejamento e com a gestão da mesa de jogo. Não apenas por não rolar dados, mas há outros elementos inerentes ao design dos jogos PbtA que fazem com que haja poucos elementos a gerir, fazendo com que a atenção volte-se à narrativa. Quanto ao planejamento, a proposta é bem diferente. No lugar de um grande planejamento da sessão, com encontros e várias minúcias, o foco é maior nos pontos-chaves da trama, e a própria noção e planejamento de uma aventura se torna a preparação de uma sessão, algo um tanto diferente.

Nossa, há muitas questões interessantes a se comentar do PbtA que podem ser portados a outros jogos, como a abertura para a intervenção narrativa aos jogadores condicionada por engatilhamentos de mecânicas, a estrutura de Agenda e Princípios ao Mestre (que ajudam bastante a focar a sua condução de jogo à experiência proposta) e alguns elementos inerentes aos jogos como “jogue para ver o que acontece”, “descreva o que está ocorrendo e não o movimento”, etc.

Acho que a questão de margens de sucesso e escolhas significativas são pontos também interessante que podem ser levados a outros jogos. E por fim, como há grande interpenetração entre a engine e as técnicas narrativas utilizadas para contar histórias, há muitos elementos facilmente portados a outros jogos.

3 – Quais dicas tem para mestres iniciantes ou ainda para mestres de uma forma geral, a partir do seu aprendizado com jogos PbtA?

Acredito que jogos PbtA são jogos de simples aprendizagem, com mecânicas diretamente relacionadas ao jogo que ela se propõe. Isso pode ser tomado como um inibidor por alguns – como um mestre que gosta de se esmerar em grandes aventuras com detalhes, dungeons detalhadas, etc – bem como a jogadores que consideram suas ações condicionadas a algo que se assemelha a um algoritmo.

A dica é pensar que jogos PbtA são jogos com inputs e outputs ficcionais, mecânicos e narrativos. Você engatilha movimentos pela ativamente ou a ficção faz com que os movimentos sejam engatilhados. Neste sentido, vale não se assustar com todas as variáveis de movimentos que se encontram em suas cartilhas (playbooks) e começar de forma leve e tranquila. Com o tempo você vai explorando as possibilidades e vendo que é simples.

Aos mestres, acho que a dica principal é observar tudo que há em um jogo PbtA que alimenta a ficção e não “trava o jogo”. Acredite, grande parte da mecânica serve para fazer o jogo “não parar”, a conversa que cria história ser fluida e contínua. Compreender isso fará com que você seja um Mestre de Cerimônias que conduzirá histórias incríveis!

4 – Conte uma das suas experiência mais divertidas ou marcantes em um jogo que usa a AWE e porque lembra dela.

A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, óculos e close-upApesar de ultimamente ter jogado mais Sombras Urbanas (a ser lançado pelo Lampião Game Studio e pela Editora Aster), posso dizer que minha experiência mais profunda jogando jogos PbtA foi com Legacy: Life Among the Ruins (que inclusive vai ter segunda edição esse ano!). Bem, o jogo tem uma pegada de reconstrução do mundo em um cenário pós-apocalíptico (bem próximo ao videogame Horizon Zero Dawn). Os personagens se aproximavam de uma estrutura de pedra gigante, eles buscavam um grupo de mutantes envolvidos com tráfico de crianças dos assentamentos tribais. A Caçadora avaliava o território e advertia os demais, uma vez que poderia ser uma maravilha do mundo anterior, um monstro, um colosso adormecido. O Sucateiro, curioso que só, avançou. A Anciã tentou se lembrar de algo sobre aquilo, e obteve uma Falha (6-). Isso foi super legal, pois não neguei a informação, mas revelei que ela se lembrava SIM o que era aquilo: era um Ziróptero, uma espécie de Mecha de Pedra usado como Sentinela no passado. E eles acionaram o sistema de segurança!!! A Caçadora pegou o rifle e abriu fogo contra aquela “coisa”, e o Sucateiro decidiu usar um movimento que soava como “Eu tenho o que preciso”, pegando o que necessitava da bolsa. Ele tirou 12! Daí eu abri a fala à jogadora: E aí, o que você tinha? Ela disse que tinha um… espelho (!!!!) que defletia as rajadas laser do Mecha lítico. O combate com a Caçadora distraindo o Ziróptero enquanto a Anciã dizia como se aproximar dele. Foi quando a Sucateira conseguiu entrar na estrutura e, com outro Sucesso, controlá-lo e pilotá-lo! Sim, o grupo de jogo saiu um um ROBÔ GIGANTE DE PEDRA! Simplesmente inesquecível!

Posso dizer que foi bem marcante pois eu usei um Movimento Pesado na hora hora certa, a tensão subiu, o clima do jogo (de descobertas e maravilhamento foi mantido) e, ao abraçar a ficção, os jogadores trabalharam juntos e foram recompensados com algo que foi por demais útil para o prosseguimento da história. Neste sentido, as mecânicas atreladas ao cenário se encaixaram perfeitamente à proposta e possibilitaram uma grande cena, uma das melhores da campanha.

5 – Fale um pouco sobre sua experiência com RPG como um todo e seus trabalhos na área, e como podemos jogar com você!

Nossa, não falo muito sobre minha experiência com RPG pois pode parecer arrogante, ou um discurso de autoridade, haauhauha. Bem, eu faço parte do Lampião Game Studio e sou autor de Déloyal em uma parceria com o GRAAAAAANDE Rafão Araújo (que é grande fã de PbtA), publicado pela Pensamento Coletivo, Pesadelos Terríveis, publicado pela Avec Editora e vários outros jogos (e outros que não podemos falar por enquanto, huahauhauaha). Nós, do Lampião, estamos presentes em vários encontros de RPG no Rio de Janeiro. Basta acompanhar a página e o grupo do Lampião para nos encontrar. Mas, sempre no último final de semana do mês temos um evento chamado Lampião na Geek Store (em Niterói-RJ). Neste encontro temos várias mesas de nossos jogos, protótipos de novos lançamentos e algumas novidades exclusivas.

Nenhum texto alternativo automático disponível.

Se quiserem conhecer mais sobre os trabalhos do Jorge, podem olhar na página do facebook da Lampião, ou ainda no blog.

Aguardem a próxima matéria com mais um mestre!

Gostou?, sugira um bom mestre de RPG que use AWE em suas mesas para podermos entrevistar e divulgar!

 

2 comentários sobre “Entrevista com Mestres – Jorge dos Santos Valpaços

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